Você já sentiu alguma dor e após investigar, não encontrou nenhuma causa biológica ou orgânica para os sintomas? Na psicologia e na psicanálise, temos respostas para isso.
Na psicologia, usamos o termo psicossomatização para identificar dores e sintoma que a medicina não consegue explicar. É muito comum na clinica pacientes que mencionam dores físicas que nunca passam ou retornam em momentos específicos de sua vida. Uma gastrite, dermatite ou até mesmo um nó na garganta que nenhum médico é capaz de explicar.
Na psicanálise, aprendemos que o corpo não adoece sozinho, ele por muitas vezes “grita” aquilo que não conseguimos processar ou colocar em palavras e isso se chama, angustia.
Não se trata de dizer que a dor “é coisa da sua cabeça”, já que a dor é real e o corpo sofre de fato com ela. O que a psicanalise aponta é que a origem desse sofrimento não é orgânica, mas sim uma história que não foi contada.
A angústia funciona como um sinal de alerta dessa estreita ligação entre o psiquismo e o corpo. Quando vivemos uma experiência traumática, um estresse diário ou um luto que não pode ser elaborado, esse afeto transborda. Se não há simbolização, o ato de dar nome ao que sentimos e transformar a dor em fala, a angústia deixa de ser apenas um sinal e o corpo acaba sendo o ‘palco’ para essa encenação através do sintoma.
O sintoma funciona como uma carta fechada: ele traz uma mensagem, mas o sujeito ainda não consegue lê-la. É uma descarga direta no organismo de algo que o psiquismo não deu conta de “digerir”.
Em análise, o que pode ser feito é o percurso inverso: tirar a dor do corpo e trazê-la para a fala. Quando o paciente começa a nomear seus medos, seus traumas e suas angústias, o corpo pode, finalmente, parar de gritar. Elaborar a história por trás da dor é o que permite que o sintoma perca a sua função e o corpo recupere o seu equilíbrio.
Eai, quando seu corpo fala, você escuta? Ou só quando ele grita?
Por Daniele.