Por que Hiância?

​O nome de uma clínica é, antes de tudo, uma aposta ética.

Ao nomearmos este espaço como Hiância, nos afastamos das promessas contemporâneas de “plenitude” e “gestão de si” para abraçarmos o que há de mais fundamental na descoberta freudiana: a existência do inconsciente.

​A palavra, resgatada por Jacques Lacan em seu Seminário 11, define o modo como o inconsciente se apresenta. Ele não é um reservatório de conteúdos recalcados à espera de uma tradução, mas sim um vacilo. O inconsciente é temporal; ele se manifesta como uma fenda, uma descontinuidade na fala — uma hiância.

​Na clínica, a hiância é o intervalo entre o que o sujeito diz e o que ele, sem saber, enuncia. É no tropeço da língua, no esquecimento súbito ou no sonho que a verdade do sujeito “pisca” e se retrai.

​Escolher o nome Hiância significa sustentar um lugar onde o silêncio não é ausência, mas sim o tempo oportuno de abertura. Respeitamos o tempo do sujeito, compreendendo que uma intervenção analítica não pode ser imposta “à força”. É necessário que o analista, em sua posição de escuta, aguarde o instante em que a hiância se abre, permitindo que, a partir dessa abertura, uma pontuação necessária possa ser colocada ali onde a demanda se transforma em desejo.

Aqui, a hiância é o convite para habitar o intervalo entre o que não existe e aquilo que, ao ser dito, pode surgir.

Por Clarice.

Se esse conteúdo fez sentido para você...

Talvez ele também faça sentido para alguém que você conhece. Às vezes, um simples envio pode ser inicio de um grande percurso.

ou

Fale Conosco

© 2026 Clínica Hiância | Psicologia e Psicanálise — Todos os direitos reservados.