Por que repetimos o que repetimos?

Freud já indicava que aquilo que não se elabora, repete-se em forma de destino. Mas o que ele quer dizer com isso?

Freud, em Além do Princípio do Prazer (1920), refere-se à compulsão à repetição, apontando que experiências não simbolizadas, afetos reprimidos e traumas não processados retornam até que possamos elaborá-los. É como se, ao não sentir, escutar ou nomear aquilo que nos feriu, a dor se apresentasse novamente, mas revestida de outro rosto, nova forma e diferentes contextos.

Na clínica, frequentemente vemos casos de pessoas com queixas semelhantes a: “tenho dedo podre, só me relaciono com o mesmo perfil de pessoa” ou “sempre saboto meus projetos”. Tal afirmação pode indicar uma repetição. A escolha de parceiros com o mesmo perfil (geralmente abusivos ou nos quais a pessoa se sente rejeitada) não é apenas uma questão de azar. É uma história psíquica que, por não ser elaborada, se encena no presente.

E como se rompe esse ciclo?

A direção, dentro de um percurso, convida o sujeito a deslocar a energia da atuação para a fala. Ao colocar palavras onde antes havia apenas repetição cega, o sujeito opera uma retificação: ele deixa de ser o objeto passivo de um “destino” e passa a se haver com a sua parcela de responsabilidade naquilo que lhe acontece. Elaborar não é apagar a história, mas ganhar a liberdade de não precisar mais encená-la.

Por Daniele.

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